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quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

2009 vai,2010 vem


Não se trata nem de uma questão de ser ou não ano novo;creio que a maior parte das perspectivas que se cria num ano,deve ter como foco,não esse período arbitrário de 365 dias,mas antes,a "fase" na qual nos encontramos,caiba ela ou não,no âmbito do ano.Comecei 2009 trabalhando literalmente:consegui um bico numa loja 24hs,e fiz "extra" lá na noite de revéillon.Isso foi um indício para mostrar o que vinha pela frente: muito trabalho,agitação,desafios,como havia tempo não enfrentava.Fiquei feliz por esse ano,porque já há um bocado de tempo,as páginas de minha vida andavam sendo tingidas de negro.Eu estava caminhando para minha destruição.Estava.Ainda no comecinho pensava em coisas tolas,tipo suicídio e "vou me matar de trabalhar pra ficar rico e avarento".Tudo começou a mudar quando parei um dia,inocentemente,e comecei a fazer um retrospecto dos anos predecessores,de 2008 pra trás.Peguei minha caderneta de contabilidade(acreditem,eu fazia minha contabilidade até uns meses atrás...),nas últimas folhas,e comecei enumerando.Não aguentei chegar á 2006...;cheguei á conclusão de que desde um bom tempo,não estava vivendo,mas sim sobrevivendo,fugindo de mim,dos outros,das responsabilidades,e dizendo pra mim que estava tudo bem.Não,não estava.E isso ficou evidente quando tive um estado de choque por conta de uma decepção profissional.Decidi: vou namorar!Vou viver!E pra isso,deixei meu emprego antigo pra ficar em um só -pois tinha dois-,comecei a fazer oficina cultural e aula de música;duas coisas que tinha deixado pra trás,que me faziam muito bem.O resto foi consequência dessas duas coisas,e algo a mais.Mas valeu,e está valendo ainda.Em abril desse ano que se encerra,quando decidi isso,iniciou-se um ciclo importante e inevitável na vida de qualquer um: a construção,a reengenharia.É no fim da adolescência,essa fase tão conturbada que acaba aos 24 mais ou menos,que enfim cada um tem tempo de fazer suas últimas modificações pra fase adulta.A partir daí,ter-se-á uma idéia de como seremos e lidaremos com a vida,seja profissional,social,afetiva,com os filhos... .Não que não possamos mudar após -claro que podemos;mas aí,quanto mais o tempo passa,quanto mais adiamos,mais difícil fica mudar.Mais duros ficamos,e ficamos mais próximos da morte também.A vida cobra a sério mesmo.E tentarei melhorar e corrigir meus erros o quanto possível durante essa fase -e parando pra pensar bem,mesmo com os sofrimentos inertes á vida,e principalmente á adolescência e ao fato de ser altamente emocional,sabe de uma coisa? Até que sou feliz!Não sei classificar bem isso,mas quando imagino-me com 40 anos,olhando para mim hoje,projetando isso,posso afirmar isso;uma paz enorme invade meu coração,e penso que deveria ser mais calmo.Uma hora eu consigo.

Seis fatos,eventos,adventos de 2009:
  • Aula de música(nunca me imaginei tocando viola!)

  • Até que fim,achei um perfume pra mim,que de fato gostasse: Avon Class Act

  • Meu blog

  • Me tornei mais coração-mole(é uma vitória pra quem achava que iria se tornar amargo)

  • Meu emprego novo,na Save Seguros & Corretora

  • a Dayane.Devo-a muito: ao longo desse ano,você foi motivo para muitos de meus devaneios,risos,risadas,esforços,e por algumas lágrimas também.É uma homenagem,tente ver com leveza:você acalmou em mim,algumas feridas que estavam abertas havia muito tempo,e acho que no devido tempo,isso irá lhe despertar alguma calma de espírito...Não há como pagar sua participação aqui.Obrigado por ter adentrado aqui.Adoro-te.
  • Ninguém que me conhecia,achava-me muito eclético logo de cara,mas sempre ouvi umas músicas variadas;pois é,não é que fiquei mais eclético ainda?(também é culpa sua,Dayane)

Metas principais para 2010:

  • Terminar o ensino médio,né?Já passou da hora!

  • Escrever mais,mais,mais;ler mais,mais,mais;mais exposições,mais museus!

  • Aprender a andar de bicicleta(Ei!porque a risada?!!)

  • Ser um irmão melhor,e pagar a grana preta que devo pra você Lidia.Apesar de meu coração ter ficado meio "duro" pra demonstrar o quanto eu a amo,saiba que você é talvez,a pessoa mais essencial em minha vida,mesmo estando num caminho meio diverso do seu,no qual só nos topamos nos cruzamentos.Amo-a muito.

  • Bem,se 2009 foi o ano da emoção á flor da pele,nesse devo e tenho que ficar mais tranquilinho.Ao longo de 21 anos,de 1988 á 2009,já fui apático,frio,desesperado como uma mulher neurótica aos 30,pessimista,otimista,calmo de mais,agressivo,e nem lá nem cá.E em 2009 consegui ser quase tudo isso elevado ao quadrado também.Visto minha idade,agora é hora de amadurecer um pouquinho e ficar mais calmo.Mas que viver á mil foi bom;ôh se foi!Garanto que quando ficar velho vou dar muita risada dessa época!E as pessoas que estiveram e estarão também.

  • Juntar um dinheirinho.Quero casar e ter uma casa daqui alguns anos,e quem sabe,ir pra europa.

  • Cuidar melhor ainda do coração,da psique,do espírito,do corpo.
  • Por ser essa uma época de construção,cheguei á conclusão(á contragosto,é verdade),que nem tudo pode ser na hora que eu quero.É egoísmo demais.Esperar faz parte,e é necessário no processo de crescimento.Esperei 21 anos pra me dar conta disso.Posso esperar mais.E mais importante que isso:aprendi que liberdade,não é só ser livre pra sair pra onde quiser,fazer o que quiser,ficar com quem quiser:esperar,aguardar,também é exercitar a liberdade.Descobri que sou livre pra esperar,e que isso é prazeroso também.Esse ano,quero e vou,ser mais livre ainda.

  • Por fim,mas até mais importante que os demais: a cada dia,quero me tornar um ser humano melhor,e desejo isso á meus entes queridos também.

É isso aí.Boas festas,ótimo ano,entrar de ano,e que nossas esperanças só cresçam,e junto com elas,os músculos necessários para colher os frutos.Um 2010 ainda melhor e mais marcante.Abraço á todos.


segunda-feira, 14 de dezembro de 2009


Po muito tempo,estive preso;aliás,quase totalidade de meus dias.Hoje,me deparei no escritório,pesquisando coisas na internet,como sempre faço:músicas,fotos,fotografia,geometria fractal,cursos de idioma... Uma hora,estava procurando,sem no entanto saber o que procurava.Então achei.


Não sou tão negro,nem tão ferido,a ponto de faltar-me fé,ou coragem.Tenho todos os membros de meu corpo,respiro,ouço,vejo,e sou feliz e grato por isso.Não há mais diferenças entre meu doppelgänger,entre Aleph,ou eu mesmo,o Lucas.Somos um.Quero uma vida de verdade,e lutarei por ela.Vou derramar muito suor pelos meus sonhos,e quando isso me parecer indiferente,o suor vai me lembrar desses sonhos,e do quanto luto por eles.Vai demorar mais do que gostaria;todas estradas que levam para os caminhos que nosso coração deseja,são longas.E isso também é muito bom.Desejo uma vida de verdade,sonhos de verdade.Construirei-os.


Aleph,sairá da casa em que mora,e vai para a cidade.Não viverá mais só dentro de si.Não almejo ser o melhor em tudo,mas quem sabe,com uma piscadela do destino,e um pouco de força nos braços,isso não ocorra?


Hoje,eu começo a me reerguer.Esta é minha bandeira.


Eu a amo muito.Lídia,amigos,amigas:os amo muito também,provarei isso.


Abraço á todos.

"Memoirs"



Uma vez defronte com a galeria de meu passado,pasmo ante a solidez irrefutável dela,ante a glória romana e o vazio insignificante;uma vez feito isso,sente-se se você é um "Brás Cubas",ou um "Oskar Schell",ou um "Julien Sorel",ou um "Raskolnikov", ou um "Gregor Samsa".

...Por ocasião de fixar-se nas realizações não feitas,nos sonhos não sonhados,é inevitável que a tristeza não se aposse de ti;a tristeza torna-se uma bebida interessante,consoladora,que tinge as nossas fotografias com um colorido belo,mas trágico.As lágrimas se tornam a única água capaz de lavar nossa perversidade,nossa inércia,ainda que só tenhamos uma peça de roupa:nosso "eu".Ou essência,legado,memória,chamem do que quiserem;nossos eventos passados,ficam como uma foto em P&B.Ou colorida talvez,visto que a tendência quando se tem mais cores,é camuflar a essência,o significado ulterior da foto.

Uma vez,cheguei a conclusão de que se pessoas fossem como máquinas fotográficas,poderíamos associar certos estados de espírito com os efeitos que das câmeras advém:sépia,P&B,colorido,desfocado...

Pessoas tristes acho,que enxergam colorido.Isso porque a cor disfarça a apatia:nas fotos tipo "SinCity",a cor surge como uma espada que perfura sem dó,as tripas da suposta essência que o P&B faz questão de que você absorva.As pessoas comuns,ou bem alegres,mas de algum modo "simples" ou práticas(o que dá na mesma),também vêem colorido:corretores,vendedores,advogados...

O envelhecido ou sépia,pra mim pelo menos,revela uma certa grandiloqüência contida no evento - a glória disfarçada naquela cena;ou quando se trata de uma cena realmente grandiosa,é o orgulho que brilha tanto que talvez até machuque os olhos,e por causa disso,ele se disfarça de amarelo-fosco.

Em paralelos com música,é como a voz de Chet Baker que surge frágil(não fraca),em "I Fall in Love Too Easily";o violino solitário que no meio do caos e da lentidão,soergue-se solenemente todo-poderoso em "Turn Loose the Swans" do My Dying Bride;as notas delicadas,quase sussurradas,escorrendo pelas teclas do piano,como o orvalho matinal que escorre pelas faces das rosas,dos lírios ou das tulipas,nas Danças Norueguesas de Grieg,ou em algum Noturno de Chopin;ou a voz de Maria Rita,quando diz "qualquer coisa assim sobre você.../que explique a minha paz",em "Casa Pré-Fabricada".

Acho que sépia,é meu efeito fotográfico favorito,até mais que P&B,ou que cor sobressalente.No filme baseado em HQ "Watchmen",uma das heroínas,já decadente e "fora-de-linha" diz que,qualquer evento do passado,quando visto sob a luz do presente,é dotado d'um brilho descomunal.E que mesmo os pontos mais negros,possuem uma luz que o futuro incerto não tem.

Se essas cenas,essas vozes e cheiros;se a pele das pessoas,suas manias,se vissem como que por mágica transformadas em fotos,se o que estava acontecendo ali fosse poético,ou belo,ou descomunal,acredito piamente que seriam fotos envelhecidas,fotos sépia;dotadas d'uma significância tão grande,que nenhuma tecnologia ou efeito novo seria capaz de retirar-lhes a sensação de ar vesperal,que nos acalma no verão.
A história é algo que me fascina,o passado é algo que me fascina,e talvez por conta disso e das marcas que ele me imprimiu,é que eu queira me formar em história;sabia que matematicamente falando é possível ir até um ponto fixo no futuro?Nos anos 1950,um físico elaborou a teoria dos "Buracos de Minhoca",que consiste no seguinte:Num espaço completamente vazio(isto em termos de física:um vazio absoluto,que é quase impossível de se obter),cria-se uma lacuna na qual os grávitons(partículas que ajudam a controlar a curva do tempo),não exercem influência:o que aconteceria,é que agora,em 2009,poderíamos ter uma linha direta para 3015,por exemplo.Parece loucura,mas a teoria pode ser mostrar real:No Grande Colisor de Hádrons,que fica na Suíça,conseguiram criar o vácuo total,no entanto,ainda não temos tecnologia para criar um vácuo grande o sulficiente para comprovar a teoria.
...Mas notem,que não há como ir ao passado...Isso me deixa intrigado;e todas as fotos sépia,voltam a reluzer em minha galeria.

Talvez eu seja um indivíduo normal,que apenas viaja um pouco,se achando diferente;acontece que enquanto ando,falo com as pessoas,na minha mente se esvoaçam uma miríade de sensações e juízos: 'stou a conversar com a moça do caixa sobre o dia-a-dia,e vêm-me á cabeça os diálogos que tive com minha irmã,histórias fictícias que só aconteceram dentro de mim,fragmentos de livros,músicas inteiras,cheiros,fotos,filmes...Tudo quase que simultâneamente;acho que por isso passo a impressão de ser contemplativo.Isso sem falar que desde que comecei a fazer ioga,também fico prestando atenção nos meus pensamentos,se eles são ruins ou bons,se tenho consciência do que estou fazendo,ou se estou no "automático";presto atenção na minha respiração...

O que acho interessante,e tento descobrir nesse emaranhado tresloucado,é a mecânica de tudo isso;se alguém "vestisse" meus olhos,veria que pelas minhas lentes,os eventos atuais não surgem do nada.É como se,uma vez acontecendo algo especial,esse algo fosse uma folha na copa da árvore;o suporte para essa folha,são os ramos,que se ligam ao caule,que vai à raiz,que é o primeiro evento que marcou minha origem;aí nesse momento,imagino meu pai e minha mãe numa noite de amor;mas não é só:foram duas árvores que cruzaram as raízes,e aí começa tudo de novo só que de trás pra frente.

Acreditam que tive um sonho fantástico faz um ou dois meses,no qual eu caminhava(literalmente),até 1986?Mas eu nasci em 1988!Lembro-me no sonho,de que quando cruzei a avenida deserta,e subi um morrinho,rejuvenesci,voltei ao meu tamanho dos 4 ou 5 anos...Foi incrível.Vi meu pai,vi gente com quem nunca deparei-me na vida...Estou trabalhando nessa lembrança,pra que ela vire um pequeno conto talvez. ...Vocês sabem qual era a cor do céuzinho amanhecido de meu sonho,quando estava dando meus passos na rua rumo ao passado?Era um tom alaranjado;tal qual,uma foto em sépia... Cada ato de hoje,pode bem ser merecedor de se tornar uma lembrança bem bonita,algo digno de ser lembrado.Acho que minha lógica de aproveitar o hoje,e pensar no futuro é essa:tornarem os eventos,memoráveis. Amores memoráveis,textos memoráveis,dias memoráveis...Com alegria,mas com melancolia pra que seja humana também.Com paz,com luta...Isto veio do fundo de minha memória,do fundo de minha alma. Abraço á todos!
P.S.:Deixo aqui a música "From the Depth of Memories" do The 3rd and the Mortal.É linda,aproveitem.

domingo, 6 de dezembro de 2009

Do Fundo da Memória - I


Outrora,já tive os olhos tingidos com uma cor célebre como o translúcido.Faz entre seis,sete anos,2002/2003:simplesmente conseguia permanecer com o olhar fixo nos olhos de qualquer um;como que para ver os detalhes lá impressos,as portas abertas,a índole.Enfim,para dar-me conta do quão única era aquela pessoa á minha frente.

No entanto,nunca ganhamos uma batalha contra Cronos;no máximo,adiamos nossa derrota.

Deixando um pouco de lado o egotismo,e passando ao coletivismo,com essa "transparência óptica",é bem fácil notar os liames,as sombras e as luzes que permeiam nossas paisagens.Podem acusar-me de ingênuo,superficial,pretensioso,ou seja lá o que for mas,em última instância,para mim é impossível não achar a vida,o cotidiano, os eventos,dotados d'uma beleza quase metafísica.Indico isso mais por inferência,do que por realmente ter-me submergido a tal ponto nas relações comuns do dia-a-dia e,vivenciando-as gota-a-gota,que acabei por tornar-me capaz de ser sensível por completo á isso.Infelizmente não sou assim por inteiro.Apesar de ser muito "coração",maior parte do tempo,são as análises a priori,que ditam meus juízos.Joseph Conrad que era talentoso nisso:tendo iniciado a carreira literária já tarde,por volta dos 35/40 anos,ele se mostrava muito sensível ao cotidiano;aliás,no prefácio da obra "A Linha de Sombra",ele esclarece que não há nenhum elemento sobrenatural em seu livro(pois sem esse prefácio,seria fácil encontrar esse tipo de tema),e que apelar á isso,seria dizer que na vida ordinária,não há doses de drama e complexidade o sulficientes.Claro que há,concordo com ele,só não alcancei o mesmo nível ainda.Pode-se fazer obras tocantes,tendo apenas a realidade como mote.Aprecio,e muito a temática de natureza transcendental,espiritual;no entanto,ante ela tratar a existência concreta como mero esboço,é d'uma crueldade incrível.

Mas hoje,voltando ao olhar,é difícil imergir-me nas pessoas.Aquela solicitude do olhar,permitia que eu visse meus irmãos com inexpugnável imparcialidade,ainda que meio alegre-sinceramente alegre pela entrevista.Hoje,vejo que é um medo inconsciente de ser descoberto,de ter meus medos á mostra,que faz com que eu desvie os olhos,ainda que sem querer.

Acho que reflito bem o conflito entre permanecer,retornar á epígrafe de minha alma,e o presente,que mostra-me com o dedo indicador minhas limitações,e o caráter frágil do tempo.Fica impresso como se fosse um carimbo no cartão de visitas de meu olhar.

Mas ver poesia em tudo,beleza agradável em tudo,também constitui escapismo.

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...Ultimamente,não sei dizer ao certo...,Mas tenho notado com freqüência uma pontinha de amargura,ou melhor,apatia,nas pessoas.Seja no segurança que fica na porta do banco,ou na senhora crente,ou no garoto malandro.Parece que todo mundo anda meio "tanto faz,isso não é problema para que eu resolva".Não é surto;ninguém parece fazer muita questão do que vai acontecer consigo,para além daquilo estritamente comezinho,e isso me deixa bem triste,não por mim,mas pelas pessoas.Não precisamos ser uma nação formada por Abraham Lincolns,Einsteins,ou Gandhis;afinal aí já seria facismo,mas tenho a impressão de que entre os norte-americanos,por exemplo,essa "distribuição" de "tipos",de pessoas e de suas ambições,se dá de forma diversa e mais equilibrada que a nossa.Tenho conversado com gente que não tem instrução alguma,gente que só sonha,que só realiza,gente perversa,gente que acha que negócios e pessoas podem ser tratadas da mesma forma,visando lucros d'alguma natureza qualquer;mas poucos mostram fazer questão de construir,de forma consciente suas próprias vidas;poucos pré-visualizam os 35 anos,e o inevitável aviso da natureza:"amigo,amiga,vocês estão ficando velhos;há páginas que vocês não poderão escrever mais!".Não se trata de uma apologia á Dorian Grey.Ele é perverso.Mas acho que paciência e calma,não podem ser confundidos com apatia e inércia.

...Na real,só gostaria que meus esforços fossem capazes de causar eventos mais amplos do que aqueles que acabam reduzidos á pó no fim do dia ou da semana. ...Inevitável dizer,que mesmo o pó,acaba por ficar sedimentado na nossa psique.Uma hora ou outra,mais breve ou não,vêm á cabeça aqueles abraços partidos(*referência ao filme^^,quero muito assistir \°/ ),as broncas,as aulas,os professores,enfim,todo mundo.Em A Metamorfose,Gregor Samsa se lembrou,não sem uma pontinha de melancolia adocicada,d'uma mocinha a quem tentou cortejar,d'uma moldura muito bonita que ele mesmo fez...São coisinhas bem concretas,e acho que é disso que mais necessitamos:um abraço aqui,aquela fotinha acolá,para que alimentemos mais as árvores de nossa planície.Como o Pequeno Príncipe disse,sobre os recantos secretos e maravilhosos que há em cada um.

Minha luta,é para que as pessoas vejam esses recantos,passeiem por ele.De que elas tenham vontade,e não deixem que a chama simplesmente apague;ela pode enfraquecer,é natural enfraquecer,afinal de contas,somos seres finitos,mas será que é tão dolorido e angustiante assim alimentar suas realizações,seus sonhos?Bom,não sou o mais indicado á admoestar ninguém,mas meu ponto de vista por hora,é esse.

Desejo que todos(ainda que sei que isso é utopia),hasteiem suas bandeiras contra Chronos,ou melhor:façam do tempo um amigo jardineiro,que regue nossa planície.

Abraço á todos.