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quarta-feira, 10 de março de 2010



Por vezes,durante várias e várias épocas,dissolve-se;
dissolvemo-nos;é como o vício que as enseadas têm de
largarem-se para que a língua de Possêidon as digira.

Sempre achamo-nos similares à areia,que um dia foi rocha,que um dia
numa possível infância caso não se tratasse d'um mineral,foi uma criança,e,
sendo portanto criança,sendo íntegra,e fixa,e intragável em sua constituição
espiritual.
(se)fôssemos plumas:
Que um dia asa,e sendo asa: pássaro -
conduziu ser vivo ao vôo;
ao vôo,ao nado;mas a pluma (é) arrastada através do céu
em oceano de ar que envolve; volve; revolve.

Passados os anos: decênios,milênios (em imortalidade inútil),
é como se fôssemos pedaços
apenas pedaços:
Partes,cacos,fragmentos; -
pluma
grão-de-areia
dente-de-leão
abandono
decrepitude
perdição


sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010


Ela veio trazida pelos ventos gelados de fim-de-abril
E derreteu entre meus braços.

...É ela similar á Psique.

...Não sei se sou como Eros,mas,
entre a pedra lavrada
que se dissolve em ilusões tetraplégicas;
através da rocha talhada fundida com bronze;
uma das tenazes no espelho,
com uma lança urrando contra vitrais,
outra das tenazes,a segurar
botão de rosa,de uma Vênus solene-quase-sacra,
assim,no dia de um banquete,
ela me auferiu

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

Fragmentos - Parte IV "Outono"





Outono,doce outono
Que comigo em tardes de maio
desenhou no chão
passos de tango


Amor,doce amor
Que no outono sempre leve
No outono sempre longo
com seu vestido esvoaçante
concedeu-me dançar
contigo um tango


- ...Em Minnesota,
mãos foram lavadas
pelas folhas
...Em São Paulo,
pés foram enterrados
pelas folhas;
Em todos lugares
hipnotizado pela dança;
Em lugar algum
perfumado por seu cheiro casto


Outono...Outono...


Quando sussurra nos ouvidos
o entardecer está acabando,
o frio arrepiando,
a tristeza desviando,
a escuridão,guiando


Quando conforta ouvidos,
o vento uiva uma canção pálida,
a luz ergue-se rumo ao céu/arranha o Céu,
e cospe na face
o vigário da velhice,
e a visão fica desajeitada,
como uma foto em negativo.


Erguido e só,
o vigário consome-se
até a Terra devorar-lhe
os pés redondos;
- ela deglute a esfera,
para horas depois devolve-la -
deus-do-outono se agrada;
outono corre paralisado
em derredor;
as folhas paridas das árvores
caem ao solo para perdição;
as folhas são a neve/a neve é rubra,
as copas secas são mãos,
e todas variedades de amarelo
cansam a visão.


Os morros serão os mesmos
- sempre são os mesmos -,
mesmo quando as cores opacas
ameaçam seu brilho secreto


Toca-me/com suas mãos mornas
divirto(me) quando Hermes enfim
vira a ampulheta


Outono!
...Morno...
Que venha a seu sucessor!



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quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

Fragmentos - Parte III "Hanna"



"Hanna morre,
Hanna deixa de existir,
e com seu sangue já não quente
vai-se o elixir;
Hanna agora reina
Sobre impérios além de minha compreensão,


Quando o orvalho escorrer pela parede
haverá consciência da sentença -
condenado pelo tempo
a óbitos em imensidões oníricas;
em aventuranças e presenças
consumir-se-á as asas nas chamas
que queimam e matam todos os dias,
dia após dia ao crepúsculo]


Faz da vida vida quente-fria,
Vida flamejante-gélida!
acabarnos faz
com nossas tulipas.
Mais cedo do que deverias.


...Talvez esteja em tempo
de Hanna re-encontrarmos"






*Escrito originalmente em 01/06/2006

segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

Fragmentos - Parte II "Entardecer na Praia dos Sonhos/Noite de Verão I "



A areia felpuda como raposa - a areia;
na orla,pegadas,
há pegadas,
houveram,
haverão;
sereias se divertem com isso!;
é como uma vela que se consome mas,
uma vez derretida
há de se consumir de novo,
há de iluminar de novo,
há de aquecer de novo;

...E o ocaso reflete-se
no seu rosto.
o entardecer destaca
sua ruivez,
a água que parece ameaçadora
a abraça,
- e não nota

Solene?Solenidades normalmente são vãs!

quem arrasta é o mar:
como criança carrega minha areia
como criança carrega sua areia,
e isso é-lhe aprazível.

o vento há de dar-lhe fôlego,
o mar será companheiro,
marés guiarão,
asas coladas dia inteiro.

...

...Nossas pegadas na praia secreta das vidas,
todos vão e vem;
as ondas levam os grãos,
para um lugar que Netuno conhece;

Nossas pegadas em lugar desconhecido:
o vento pode desmanchar,
a água furtar,
mas sempre que as levarem,
apenas nos tornarão um só -
um só com vento
ou água.


A brisa do verão seca o excesso
a água lava nossos pés.

A água lava nossos pés -
- Oh!Como é bela!
Como sua alma é bela!

O calor do verão:
cálidas serão as horas
que antecedem a chuva.

Serenas serão como sonhos
as horas de chuva,
em noites de verão.




sexta-feira, 1 de janeiro de 2010

Fragmentos - Parte I "Chuva"











Vida - delineia seu arco sob o Céu
Arrasta - as órbitas secretas que
mais secretamente ainda,indicam o caminho
sendo bússola,sendo astrolábio,sendo cruz;


Em desvario,ela tocou-me:
e as órbitas continuaram;
-seus ciclos são profundos.

Em desvario ela tocou-me:
e os pássaros fizeram uma canção;
o deus do som arrastou meu caminho!


Em alegria: as coisas todas perderam-se
bússolas sem norte ou sul
manchas que não mancham
dores que não doem
frio que aquece;
chuva -esta sim,apenas esta-
testemunha: ela é só chuva
ela é só água
ela é só ela;
ela se dissolve,
ela tange,
ela molha,
ela consola;
ela entristece,
ela alegra;
casa-se com o Sol
mas a nuvem cinza é sua amante;
ela derrota,
ela é derrotada,
vencedora e vencida á um só tempo,
ela redige essa canção:
ela não estava lá para ver o desvaire,
ela não a viu,quando suas mãos deslizaram,
mas ela estava lá!
Ela lá esteve o tempo todo,
como testemunha
em seus baluartes celestes



A vida veio como dama nobre novamente
sem no entanto nunca ter saído;
a tristeza veio: em seus trajes monocromáticos
com suas agulhas de crochetar;
a esperança: girou nos calcanhares
para indicar-me a direção -e estava nua;
a dúvida: com seu martelo de juiz,
ameaçou setenciar-me -usava máscara;
E a chuva estava lá,
ela viu,
ela presenciou,
sem no entanto mover-se
momento algum.





"Caem os pingos de chuva

caem os flocos de neve

o Sol está escondido

atrás de sua echarpe cinzenta,

mas o amanhecer...

Oh!O amanhecer!

Aquece minha alma"

quinta-feira, 31 de dezembro de 2009


As coisas são poéticas,muito poéticas

tão poéticas,que às vezes pensamos

que são tragédias,

mas não passam

de comédias espalhafatosas

em trajes de gala,

que brincam com nossos sentimentos

usando máscaras.

Máscaras mil

que nos confudem,

deixando-nos tacirturnos

como lobos.

Mas O Anjo sabe:

são só trajes,

são só máscaras,

são só roupas.

Se souberes desse segredo,

suas infelicidades

serão poucas.
*Extraído de minha agenda 2008.É de 28/03/2008

terça-feira, 22 de dezembro de 2009

Se estivéssemos na 4ª série


Claro que tudo iria ser mais fácil,se tivesse conhecido-a em 1997 ou 98.Bem,fiquei imaginando,o que eu escreveria pra ela,se eu a tivesse conhecido com 10 anos de idade,e estivéssemos na mesma escola,rs.Espero que ela não ache ruim... .O resultado é esse:


"Ela é ruiva,

e meio magrinha;

e tenho vontade de chamá-la de "baby",

"oh,yeah!"

Parece uma princesa boba

de algum reino distante...

E perdidinha da silva,bem aqui no Brasil;

A pele dela é fofinha como algodão,

e quando minhas narinas sentem o cheiro dela...

Ah!Como não?!

É claro que é paixão!^^


Ela é estabanada,

ele mais ainda;

ela é meio confusa,

ele também,

mas amam como ninguém.


Ela é um anjo que caiu do céu,

tem nome de deusa,

e disse uma vez que não precisa de proteção;

no meio dessa poesia sem sentido,única certeza:

ela balança meu coração."
O vídeo a seguir,é de um dos jazzista que mais gosto:Chet Baker - "I Fall In Love Too Easily".Abraço á todos!

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009


Tempo!Chronos!
Onipresente,inócuo
Audaz!
Austero,hasteia incólume
Sua flâmula
Cinza-rubra severa,
Como a face triste das Nornas

Oh!Erro!Grande herói!
Viu-o nu,
Presenciou as feridas mágicas:
os segundos
os minutos
as horas
os dias
os anos;
Anos e anos a fio,até o fim
Que não tem fim

Admoeste-me deus-titã!
Crave em meu coração sua epígrafe
Afiada tal qual navalha

Como água irei permear essa senda;
Sendo água,perpetrarei o tórax esgarçado
De Adão;
Sendo raposa,serei água também,
E caminharei ‘té o ocaso,
Até que minhas patas virem gelo.


- Sendo gelo,irei até os Céus
cavalgando um Sleipnir,
á conversarei com Iavé,
E à Terra descerei novamente em queda
glória/inglória
Gritando meu código frágil-fractal

Crianças irão transformar-me em brinquedo;
Serei armadilha como o deus Bolverk
Serei benévolo
Serei belo
Serei nada
Serei planície
Serei montanha
Serei neve
Apenas neve,que tal qual a chuva
São as lágrimas que Deus asperge
Sobre a Terra


Monstro neve-raposa
(de)alcunha “Aleph”;
Oh!Pobre Aleph!
...Aleph...O que espera?
Tu dedilhas os cabelos compridos
De seus deuses,
Tu brincas de observar;
Querias ser Iavé
Querias ser o próprio pai-Chronos
...No entanto,apenas: “Aleph”;
Proveniente da terra da luz
...Aquele que surgiu da luz;

Aleph,aprendiz de Chronos:
Urdiu seus cachos para as mesmas Nornas
Aquelas que tecem o destino,
Lá fui,com permissão de Iavé.

Disse-me:
Sua barba crescerá;
As sombras incrustar-se-ão sob
A relva calma de suas íris;
Suas sobrancelhas tornar-se-ão
Castas;
Suas asas: frágeis,mas não fracas;
Seus braços serão como um rio;
Seja para bons,seja para maus;
Por fim,unir-se-á à Terra de novo;

Mas somente quando lho atingirem,
Até terem devorado cada pedaço de seu coração;
Até terem se aquecido na noite fria,com a última
De suas brasas;
Até levarem seus órgãos;
Até darem de presente ao ar e ao mar
Suas cinzas;
Até terem sedimentado-lhe
Entre as plumas das asas de muitos e muitos anjos;
Até terem vociferado suas injúrias e cuspido
Em sua imagem tal qual Cristo;
Até tornar-se nada
E sendo nada,será tudo
...........Tudo.


.......Tudo.......

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

Sonho d'um dia de Primavera


Esses versos vieram-me á cabeça,no sábado passado,enquanto estava indo para o serviço...Compartilho-os agora.


"Ondas,ondas,ondas!

Serafins!

Rebelde encrespa

a prancha plana

da água-turva


Fato forte

vento-vento

vela

cata-vento


ensolarado/amanhecer

sem cores]


Pontes,carros

seus reflexos esponjosos

fazem espuma

na orla de minha alma


Forte,fraco,clava

Forte,fraco,clava


(risos)


Papéis!Oh!Ridículos papéis


Forte frágil casto

Forte-frágil-casto


Farfalhem folhas!


Farfalhem folhas,

como os cachorros vagabundos

passeiam por entre o luar

iluminados pelos neons


(silêncio)


(silêncio),(silêncio),(silêncio)

(silêncio),(silêncio),(silêncio)


( : )"Bruma" será o nome

de minha filha]


(questio)




Farfalhem folhas,farfalhem


Espírito - - - - - - - - - - - - -Lago

Lago... (Sol;soslaio-olhar)

...Lago...


Pulverizo

Pulveroso


Forte-fraco-clava

Forte-frágil-clava


- - - - - - - - - - - - - - - - - - Cacos


Cacos de mim

Cacos de meu Deus

terça-feira, 3 de novembro de 2009


Bem,ia postar a segunda parte de minha "estréia";no entanto,como já me sobra mais tanto tempo,e o texto ainda renda uma terceira parte(o.O)!,Postarei umas poesias antigas.Escrevo faz já muito tempo,acho que desde os 13 ou 14 anos,comecei a levar a escrita mais a sério(apenas em termos,fique claro).Mas nunca me achei consistente o sulficiente pra escrever prosa... :( .Esse é de 2008:


"Ele me olhou com ternura,

Sua voz era forte,porém serena

e pediu-me para repaginar

cada fagulha

de minh'existência.


Mas onde está o por-do-sol?

palavras bonitas se desmancham ao vento,

e tudo que faço é deitar-me,

vendo as cores que o céu furta para si


Reflexões...Reflexões...


Minh'alma pede sentido

pede direção;

Mas tudo que recebo dEle

são olhares


O campo de cereais...

Manchas no céu do ocaso...

Éolo fala,

as plantas obedecem sutilmente;

Deitado sob impressões-mil

Ele olha para mim e se despede


A jornada é longa e morna

Mas haverá calor e neve;

Agora compreendo quase tudo


...Enquanto O vejo dando as

costas para mim''


03/03/2008

sexta-feira, 30 de outubro de 2009




Venha sussurro,e deixe-me feliz


enquanto você se vai.


Venham braços


e com abraços


cálidos,


deixe minhas asas em paz




Oh!Inverno longo!


Onde foram parar nossas


tulipas tão sinceras?




Teu amor navega como Odisseu,


para Ítaca algum dia voltar;


me ame com seus lábios


e o vento há de te proteger.




Com sussurros,


sem ser brusco,


com o amor de Deus


disfarçado na serenata...




Me diga bom dia,anjo


enquanto toco-a com meus lábios


na sua face amanhecida.




Me diga bom dia,anjo


enquanto baixinho o paraíso lamenta.




Ame e tenha fé:


Será vastidão,serias pinheiro,serias riacho.

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

Algumas Impressões sobre Vc(os sentimentos que vc me causa)


Já em chamas e completamente borbulhante

em vão prometeu tornar-se gelo;

em vão orou para a nevasca!

em vão tentou ser como antes

e apenas seguir o curso dos oceanos:

Já estava tomado por incêndio grandiloqüente!


Agora apenas vapor(!)

agora guiado pelas asas do deus Éolo,

subia aspergindo sua essência;

aspergindo a solidez que não possuía


Esqueceu-se como ser intangível igual o gelo,

fluido como a água...


Era vento,era vapor;

tornou-se nuvem,filho do ar;

tornou-se o próprio ar!Tornou-se sussurro...


Possêidon!Como pode a água ser tão caótica?

É esse o feitiço do fogo?




OBS:a foto que ilustra o texto,é de autoria de Fredi Kleemann(1927-1974)
OBS²:é de minha autoria.Dedico-o á uma pessoa querida *_*

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Interlúdio


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"Orvalho que me molha,
que esgueira-se por mim,
como se fosse eu...
Um nada."